Quarta-feira, Setembro 06, 2006

Iganani



Iganani tinha dois motivos para ser condenada à morte por sua comunidade. Em primeiro lugar, era filha de uma viúva, e ninguém sabia quem era o pai. Em segundo lugar, ao começar a crescer, foi se tornando evidente que sofria de algum tipo de deficiência. Ela não falava, nem andava, nem conseguia brincar como as outras crianças de sua idade. No início de 2005, sua mãe saiu da aldeia com a família e passou a lutar para que Iganani, que tem paralisia cerebral, recebesse assitência médica. Atualmente Iganani vive com a família na casa da ATINI, faz tratamento de reabilitaçao num Hospital da Rede Sarah, em Brasília. Cativando a todos com seu jeitinho, ela progride a cada dia, mas só pode voltar a viver na aldeia se aprender a andar.

Terça-feira, Setembro 05, 2006

Tititu


Quando Kusiuma deu à luz pela segunda vez, não acreditou no que estava acontecendo. Ela não conseguia identificar o sexo da criança. Naquela tribo, uma criança assim não merecia viver, mas os pais não tiveram coragem de matá-la. O chefe da aldeia, vendo a dificuldade que o casal tinha para sacrificar a criança, recomendou que eles pedissem ajuda aos missionários que moravam ali perto. A família foi para São Paulo, onde o sexo da criança foi determinado, e uma cirurgia corretora foi realizada. Ao retornar para a aldeia, ela foi foi recebida com muita alegria por todos os parentes. Já está com quase dois anos e é uma menina muito viva e alegre. Mas precisa tomar hormônios pelo resto da vida para que o processo de virilização não volte. Se ficar sem os remédios ela corre risco de vida.

Domingo, Setembro 03, 2006

Bianca

Bianca Maitá é uma menina Yanomami que perdeu a mãe logo ao nascer. O pai não conseguia cuidar dela, e as coisas só pioraram quando o povo começou a perceber que ela tinha problemas de saúde e precisava de tratamento. Foi diagnosticado hipotireodismo, mas ela ficou muito tempo sem fazer o tratamento corretamente, e sem ter alguém que a protegesse. Com cinco anos, foi levada para uma casa de saúde indígena na cidade. Viveu lá por seis anos, sofrendo todo tipo de agressão – além dos que já tinha sofrido na aldeia. Em 2002, um casal conseguiu a guarda legal de Bianca, e a levou para tratamento em São Paulo. Recentemente, foi concluído o processo de adoção. Hoje, ela está em segurança e recebe amor e todos os cuidados de Simone, sua mãe. Bianca é sorridente e doce, adora dançar hip-hop, mas o trauma pelo qual passou foi tão profundo que até hoje ela não consegue falar. Ela vive na casa da ATINI com sua mãe e faz tratamento com psicológicos e fonoaudiólogos.

Harani


Harani nasceu filha de uma adolescente solteira. Além da vergonha da gravidez fora do casamento, a mãe sabia que deveria abandonar a criança na mata assim que nascesse. Ela não tinha a permissão da sua sociedade para levar a criança para a maloca e criá-la como filha. Após ser abandonada, Harani só sobreviveu porque suas tias resolveram escondê-la no mato, até ser resgatada por uma pessoa que trabalhava na área. Hoje, aos três anos de idade, ela vive com os pais adotivos e duas irmãs que a amam muito. Harani é a alegria da casa.

Sábado, Setembro 02, 2006

Hakani

Hakani ficou órfã quando tinha dois anos de idade. Por não se desenvolver como as outras crianças, ela foi alvo do desprezo e do preconceito de seu povo. Sobreviveu por alguns anos sem assistência alguma, sem que ninguém cuidasse dela. Quando finalmente foi entrege a um casal de missionários, eles a levaram para São Paulo onde sua doença foi diagnosticada. Ela tinha hipotireodismo congênito. Hakani foi adotada e com o tratamento adequado, começou a andar e se desenvolver, superando todas as expectativas dos médicos. Hakani mora com seus pais e, além de cursar a primeira série, ela faztratamento uma psicóloga e uma fonoaudióloga. Seu nome significa sorriso e ela adora desenhar pequenas sereias.

Sexta-feira, Setembro 01, 2006

Tabariu

Tabariu foi a terceira filha da família, confirmando o medo que a mãe sentiu durante a gravidez, de estar gerando mais uma menina. Ela começou a acreditar que tinha sido amaldiçoada pelo pajé, e não teria filhos homens como todos queriam. A maldição era uma vergonha, uma desgraça para toda a família. Logo após o parto, quando teve certeza de que era outra menina, a mãe voltou para a maloca sozinha, sinal de que tinha rejeitado a criança. Mas a criança não estava sozinha. Márcia, que trabalhava naquela tribo, cortou o cordão umbilical com a ajuda de outras índias, e levou a menina até onde a mãe estava. Disse que a menina era linda, e que gostaria de ficar com ela mas os outros índios permitiriam. As horas seguintes foram de choro, luta, esperança. Finalmente a mãe aceitou a filha, apesar de seus medos. Só começou a amamentá-la após o terceiro dia, mas hoje, ela é uma menina muitíssimo amada pela família e aceita pelo seu povo. Seu pai diz que Tabariu é sua filha preferida, a mais bonita de todas.